Você já parou pra pensar como era viver sem um smartphone? Parece que eles sempre estiveram por aqui, grudados na nossa mão, como uma extensão do nosso corpo. Mas essa tecnologia tão presente tem uma história surpreendente, que começou bem antes do que muita gente imagina. Tudo começou com o primeiro smartphone, o IBM Simon, lançado lá em 1994. Sim, mais de três décadas atrás, quando a ideia de tocar numa tela pra mandar e-mail parecia ficção científica.
O IBM Simon não era só um telefone — ele era praticamente um multitarefas digital antes mesmo dessa expressão existir. Com tela sensível ao toque, envio de e-mails e até fax, esse aparelho abriu caminho para os celulares inteligentes que usamos hoje, como os iPhones e Androids. Incrível pensar que ele já oferecia funções que hoje consideramos básicas!
Neste artigo, vamos embarcar nessa viagem no tempo e descobrir como esse verdadeiro pioneiro ajudou a moldar o futuro da comunicação móvel. Spoiler: você vai se surpreender com tudo o que esse “vovô dos smartphones” já conseguia fazer.
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O primeiro smartphone: como tudo começo?
Tudo começou lá no comecinho dos anos 90, quando a IBM — aquela gigante da tecnologia que já era famosa pelos seus computadores e mainframes — percebeu que o mundo estava mudando. Eles enxergaram que dava pra ir além das ligações e mensagens: que tal colocar as funcionalidades de um computador diretamente no bolso das pessoas?
Foi então que surgiu a ideia de criar não apenas um telefone, mas um “comunicador pessoal”. Algo que permitisse trabalhar, se organizar e se comunicar, tudo em um único dispositivo.
E quem liderou esse movimento visionário foi o engenheiro Frank Canova. Ele e sua equipe da IBM imaginaram um aparelho que juntasse telefone, fax, e-mail e até mesmo um PDA (assistente pessoal digital). Em outras palavras, eles queriam que qualquer um pudesse carregar um pequeno escritório na palma da mão. Dá pra dizer que Canova foi um dos grandes responsáveis por plantar a sementinha do smartphone que usamos hoje.
Pra transformar esse plano ambicioso em realidade, a IBM contou com reforços. A distribuição do Simon ficou nas mãos da operadora americana BellSouth Cellular Corp., e a fabricação foi responsabilidade da Mitsubishi Electric Corp. Ou seja, esse projeto não era brincadeira: envolveu parcerias internacionais e tecnologia de ponta.
No dia 16 de agosto de 1994, o IBM Simon foi lançado oficialmente nos Estados Unidos, marcando o início de uma revolução silenciosa na forma como nos conectamos com o mundo.
IBM Simon: Como nasceu o primeiro smartphone?
Quando a equipe da IBM se lançou no desafio de criar o primeiro smartphone, eles não estavam apenas montando um novo aparelho. Eles estavam literalmente imaginando o futuro. Comandados pelo engenheiro Frank Canova, os profissionais da empresa enfrentaram uma missão complexa: desenvolver algo que nunca havia sido feito — um dispositivo capaz de reunir várias funções digitais em um corpo móvel e compacto.
E não era tarefa fácil. Eles precisavam de um sistema operacional que desse conta de múltiplas atividades ao mesmo tempo e, claro, de um hardware que não derrapasse com tantas exigências. Era inovação na veia, com poucos precedentes para se inspirar.

Hardware do IBM Simon: veja as especificações
Vamos dar uma olhada nas especificações que faziam do Simon um verdadeiro visionário da década de 90:
- Processador: Um chip de 16-bit compatível com arquitetura x86, rodando a 16 MHz. Hoje pode parecer tímido, mas na época isso era potência de respeito pra algo que cabia (quase) na mão.
- Memória: 1 MB de RAM e 1 MB de armazenamento. Sim, megabytes. Pouco para os padrões atuais, mas o suficiente pra rodar os apps pré-instalados e mostrar que o futuro estava mais perto do que parecia.
- Sistema operacional: Um ROM-DOS personalizado da Datalight, que gerenciava tudo: apps, interface, funcionalidades. Simples, eficiente e um precursor do que hoje chamamos de “software móvel”.
A tela do IBM Simon
A cereja do bolo? Uma tela LCD monocromática de 4,5 polegadas, sensível ao toque. Você podia interagir com o Simon usando os dedos ou uma caneta stylus, algo que parecia coisa de ficção científica. Apesar de resistiva e um pouco menos intuitiva que as capacitivas modernas, ela pavimentou o caminho para a era das interfaces táteis.
Design do IBM Simon
Com seus 510 gramas e cerca de 20 cm de comprimento, o Simon era, de fato, um “tijolão”. Mas seu tamanho abrigava um universo de funcionalidades: ferramentas de produtividade, organização e conectividade que deixavam executivos e profissionais da época boquiabertos.
Bateria do IBM Simon
Um dos grandes desafios era a bateria, que durava cerca de uma hora em chamada ou algumas horas em modo standby. Longe do ideal, especialmente para um aparelho com tantas promessas. Mas mesmo com essa limitação, o Simon mostrava que o futuro dos dispositivos móveis estava em unir múltiplas tarefas em um só lugar.
As funções inovadoras do primeiro smartphone
O que o Simon oferecia em termos de funcionalidades era realmente impressionante para a década de 90:
- Telefone: Obviamente, sua função principal era fazer e receber chamadas.
- E-mail e Fax: A capacidade de enviar e receber e-mails e faxes diretamente do aparelho móvel era algo inédito. Isso era um grande diferencial para profissionais que precisavam se manter conectados e enviar documentos importantes em trânsito.
- PDA integrado: Ele vinha com uma suíte de aplicativos essenciais de produtividade, incluindo:
- Calendário/Agenda: Para organizar compromissos.
- Calculadora: Uma ferramenta básica, mas sempre útil.
- Relógio mundial: Para acompanhar fusos horários diferentes.
- Bloco de notas: Para registrar ideias e lembretes.
- Gerenciador de arquivos: Para organizar os dados.
- Aplicativos expansíveis: O Simon permitia a instalação de aplicativos adicionais através de um slot para cartão PCMCIA. Isso significava que, em teoria, ele poderia ser personalizado com softwares de terceiros – uma precursora das lojas de aplicativos modernas.
- Teclado preditivo: Embora a tela sensível ao toque fosse a principal forma de entrada, o Simon também contava com um teclado preditivo na tela, que sugeria palavras e letras com base na frequência de uso, facilitando a digitação.
Por que o IBM Simon não deu certo?
Apesar de toda essa inovação, o IBM Simon não conquistou o mercado em massa. Vendeu apenas cerca de 50 mil unidades durante seus seis meses de vida útil (de agosto de 1994 a fevereiro de 1995). Vários fatores contribuíram para isso:
- Preço elevado: O custo era proibitivo para a maioria das pessoas. Ele foi lançado por US$ 899 com contrato de dois anos ou US$ 1.099 sem contrato. Ajustando para a inflação, isso seria o equivalente a cerca de US$ 1.800 a US$ 2.200 hoje – um valor muito alto para um dispositivo pessoal.
- Bateria limitada: A pouca duração da bateria era um empecilho significativo para um aparelho que se propunha a ser um “comunicador pessoal” para o dia todo.
- Tamanho e peso: O design robusto dificultava o transporte e o uso casual, especialmente em comparação com os celulares mais simples e compactos da época.
- Infraestrutura de rede: A internet móvel ainda era muito incipiente. As redes celulares da época (AMPS) eram analógicas e limitadas, o que impedia que o Simon entregasse todo o seu potencial de conectividade. As pessoas simplesmente não tinham a mesma necessidade de estar constantemente online como temos hoje.
- Falta de aceitação do mercado: O conceito de um “smartphone” era muito novo. A maioria dos consumidores não via a necessidade de tantas funções em um telefone, e o custo-benefício não era atraente para o público em geral. Ele era mais voltado para o nicho de executivos e profissionais que realmente precisavam de comunicação e organização em trânsito.
O que o primeiro smartphone deixou de importante
Mesmo com o fracasso comercial, o IBM Simon deixou uma marca indelével na história da tecnologia. Ele foi uma prova de conceito que validou a ideia de que um dispositivo móvel poderia ser muito mais do que um telefone.
Seu impacto se manifesta em diversos aspectos dos smartphones modernos:
- Pioneirismo da tela sensível ao toque: O Simon foi um dos primeiros a popularizar a tela sensível ao toque como interface principal. Essa inovação se tornaria fundamental para o sucesso de dispositivos como o iPhone, que anos depois aperfeiçoaria a experiência tátil.
- Convergência de funções: A ideia de integrar múltiplas funcionalidades (telefone, PDA, e-mail, fax) em um único dispositivo foi revolucionária. O Simon foi o ancestral direto dos smartphones multifuncionais que temos hoje.
- Conceito de aplicativos: Embora rudimentar, a capacidade de rodar aplicativos pré-instalados e, em menor escala, de carregar softwares extras, prefigurou o vasto ecossistema de aplicativos que impulsiona a utilidade dos smartphones atuais.
- Visão de futuro: O Simon era, sem dúvida, à frente de seu tempo. Ele demonstrou o potencial da computação móvel e inspirou gerações de engenheiros e desenvolvedores a continuar buscando a integração e a miniaturização de tecnologias.
Hoje, o IBM Simon é uma peça de museu, reconhecido por sua importância histórica. Ele está exposto em locais como o Museu de Ciência de Londres, um testemunho de sua relevância como o “pai” dos smartphones.
Resumo: o primeiro smartphone IBM Simon é um marco
A história do primeiro smartphone IBM Simon é uma lição fascinante sobre inovação, visão de futuro e os desafios de estar à frente do seu tempo. Embora não tenha sido um sucesso comercial em sua época, seu impacto na trajetória da tecnologia móvel é inquestionável. Ele nos mostrou o potencial de um dispositivo que integrava comunicação e computação, abrindo caminho para a era dos smartphones que vivemos hoje.
Entender o Simon é compreender as raízes da nossa conectividade moderna. É reconhecer que as tecnologias que hoje consideramos banais foram, um dia, sonhos audaciosos transformados em realidade por mentes inovadoras como a de Frank Canova e a equipe da IBM. Da tela sensível ao toque aos aplicativos de produtividade, o Simon foi o embrião de um futuro que se materializaria décadas depois. Ele é a prova viva de que as grandes revoluções tecnológicas muitas vezes começam com um único passo — ou, neste caso, com um único toque na tela.